O que é Kotlin?

Se você está começando no mundo da programação ou já tem uma certa experiência, com certeza já esbarrou no nome Kotlin por aí. Mas afinal, o que é essa linguagem e por que tanta gente está falando dela?

Kotlin é uma linguagem de programação moderna, concisa e segura, criada pela JetBrains em 2011 e que teve sua primeira versão estável lançada em 2016. A JetBrains é a mesma empresa por trás do IntelliJ IDEA, um dos editores de código mais populares do mercado.

Por que Kotlin faz tanto sucesso?

O grande pulo do gato é que Kotlin roda na JVM (Java Virtual Machine), o que significa que ela é totalmente interoperável com Java. Ou seja, você pode usar bibliotecas Java dentro de um projeto Kotlin sem dor de cabeça nenhuma. Em 2019, o Google declarou Kotlin como a linguagem preferencial para desenvolvimento Android, e isso fez a adoção disparar de vez.

Mas Kotlin não para no Android. Hoje ela é usada para backend, frontend web, aplicações multiplataforma e até scripts. A versatilidade é um dos seus maiores trunfos. Se quiser conhecer todos os cenários de uso, confira nosso artigo sobre para que serve Kotlin.

Características principais

  • Concisa: você escreve menos código para fazer a mesma coisa que faria em Java.
  • Segura: o sistema de tipos ajuda a evitar aquele famoso NullPointerException.
  • Interoperável: funciona lado a lado com código Java sem nenhum problema.
  • Multiplataforma: com o Kotlin Multiplatform, dá pra compartilhar código entre Android, iOS, web e desktop.

Um exemplo rápido

Veja como é simples escrever um “Olá, mundo!” em Kotlin:

fun main() {
    val nome = "Brasil"
    println("Olá, $nome! Bem-vindo ao mundo Kotlin!")
}

Repare que não precisamos de ponto e vírgula no final das linhas, nem de declarar o tipo da variável explicitamente. O compilador já resolve isso pra gente através da inferência de tipos.

Recursos da linguagem que fazem a diferença

Além das características gerais, Kotlin traz uma série de recursos que tornam o dia a dia do desenvolvedor muito mais produtivo.

Null Safety – O sistema de tipos de Kotlin diferencia referências que podem ser nulas das que nunca serão. Isso elimina boa parte dos erros em tempo de execução que são comuns em Java. Para saber mais, veja nosso glossário sobre nullable e o tutorial de null safety.

var cidade: String = "São Paulo"   // nunca pode ser null
var estado: String? = null          // pode ser null

// O compilador obriga voce a tratar o null antes de usar
val tamanho = estado?.length ?: 0

Data Classes – Criar classes que servem basicamente para armazenar dados fica ridiculamente simples. O compilador gera automaticamente equals(), hashCode(), toString() e copy():

data class Usuario(val nome: String, val email: String, val idade: Int)

val usuario = Usuario("Ana", "ana@email.com", 28)
println(usuario) // Usuario(nome=Ana, email=ana@email.com, idade=28)

Temos um tutorial completo sobre data classes se quiser se aprofundar.

Extension Functions – Permitem adicionar funcionalidades a classes existentes sem precisar herdá-las. Isso é muito poderoso para deixar o código mais expressivo. Confira o glossário de extension function e o tutorial prático.

fun String.contarPalavras(): Int = this.split(" ").size

val frase = "Kotlin é uma linguagem incrível"
println(frase.contarPalavras()) // 5

Coroutines – Para trabalhar com programação assíncrona, Kotlin oferece as coroutines, que são muito mais leves que threads tradicionais. Saiba mais no nosso artigo sobre o que são coroutines.

O ecossistema Kotlin

Kotlin não é apenas uma linguagem – é um ecossistema completo. Aqui estão alguns pilares importantes:

  • Gradle com Kotlin DSL: a maioria dos projetos Kotlin usa Gradle como ferramenta de build, e o suporte a Kotlin DSL permite configurar builds de forma tipada e segura.
  • Ktor: framework assíncrono para criar APIs e servidores web, desenvolvido pela própria JetBrains. Veja nosso guia de backend com Ktor.
  • Spring Boot: um dos frameworks mais usados no mundo Java funciona perfeitamente com Kotlin. Confira o guia de backend com Spring.
  • Jetpack Compose: framework declarativo para construir interfaces no Android e desktop. Temos um guia completo de Jetpack Compose.
  • Kotlin Multiplatform: permite compartilhar código entre diferentes plataformas. Veja o tutorial de Kotlin Multiplatform.

Quem usa Kotlin?

Grandes empresas adotaram Kotlin nos seus projetos, incluindo Google, Netflix, Amazon, Pinterest e Uber. No Brasil, a comunidade também vem crescendo bastante, com cada vez mais vagas pedindo conhecimento na linguagem.

Além das gigantes de tecnologia, bancos e fintechs brasileiras vêm adotando Kotlin tanto no desenvolvimento Android quanto no backend. Empresas como Nubank, iFood e PicPay utilizam Kotlin em partes significativas das suas stacks. O mercado de trabalho para desenvolvedores Kotlin no Brasil segue aquecido, com salários competitivos tanto para posições mobile quanto para backend.

Kotlin vs. Java: qual escolher?

Essa é uma pergunta que aparece bastante. A verdade é que as duas linguagens se complementam mais do que competem. Kotlin foi projetada para resolver pontos fracos do Java – código verboso, null safety ausente, falta de recursos modernos – mantendo total compatibilidade. Se você já sabe Java, a transição para Kotlin é bem suave. Se está começando do zero, Kotlin oferece uma curva de aprendizado mais amigável.

Para um panorama completo de como começar, dê uma olhada no nosso guia completo de Kotlin.

Vale a pena aprender?

Com toda certeza. Kotlin é uma linguagem que veio pra ficar, com uma comunidade ativa, documentação excelente e um ecossistema que não para de evoluir. Se você quer se manter relevante no mercado de desenvolvimento, aprender Kotlin é uma decisão muito inteligente.

Se quiser dar os primeiros passos agora mesmo, confira nosso tutorial primeiro programa em Kotlin e o guia de como instalar Kotlin no seu computador.

Nos próximos artigos aqui do Kotlin Brasil, vamos nos aprofundar em cada aspecto da linguagem. Fique ligado!